Resiliência é um termo usado pela Física que quer dizer “propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora da deformação elástica”. Um leitor impaciente do blog diria: “Tudo bem, e daí? Eu detesto física”. E daí que esse é o mais novo termo usado nas empresas, revistas de negócios especializadas, e palestras no universo organizacional. Mas não quero trazer no momento a enfática no mercado de trabalho, vamos deixar para um outro momento. Vamos falar do nosso dia-a-dia.
A palavra “resiliência” foi trazida para o campo da psicologia com o significado de resistência à destruição, capacidade de proteger sua integridade sob fortes pressões, capacidade de se construir, criar uma vida digna de ser vivida a despeitos das circunstâncias adversas, capacidade de vencer, viver, desenvolver-se positivamente, de maneira socialmente aceitável, apesar do estresse ou de uma adversidade que normalmente comportam o grave risco de uma saída negativa.
Quando passamos por algo que nos marca, as cicatrizes ficam, se a pessoa é resiliente, ela consegue superar isso, como quando falece uma pessoa querida. O sociólogo holandês Vanistendael acredita que “é a fé cristã que nos faz ir além dos limites materialistas, e esperar algo após a morte”. Ele diz: “Não se trata de uma fé aleatória ou ingênua. Ao contrário, a resiliência nos mostra que existe na vida uma dinâmica que busca a plenitude, mesmo através de situações muito difíceis e de ferimentos. A fé cristã indica simplesmente que não há razão para que esta dinâmica cesse com a morte”.
Pessoas que passaram na infância por castigos corporais e/ou abusos, pessoas que sobreviveram a alguma guerra, pessoas que sofrem um acidente e ficam com marcas eternas no corpo, pessoas que entraram em algum vício, ou às vezes, coisas mais simples, porém marcantes, como o término de um namoro importante ou de um casamento. Todas essas pessoas passaram por circunstâncias que precisam ser contornadas, para que se possa viver bem.
Apesar da biologia afirmar que, pelo patrimônio genético ser diferente, cada um de nós somos dotados de mais ou menos energia; podemos desenvolver a resiliência, mesmo depois de adultos, e até na velhice. O melhor seria que fosse desenvolvida na nossa infância, mas ainda é possível. Algumas dicas para desenvolver a resiliência:
- identifique os problemas e suas raízes e procure soluções para si mesmo e para os outros, permanecendo sensível aos sinais fornecidos pelas pessoas que se encontram ao seu redor;
- estabeleça limites entre si mesmo e as pessoas próximas, distancie-se daquelas que lhe manipulam e rompa as relações de má qualidade;
- desenvolva relações satisfatórias com os outros, escolha pessoas de boa saúde mental;
- tenha iniciativa, controle-se tendo prazer ao realizar atividades construtivas;
- tenha criatividade. Permita-se pensar de forma diferente dos outros e encontrar refúgio num mundo imaginário, que possibilita também a esquecer o sofrimento interior e exprimir positivamente suas emoções;
- seja bem-humorado. Diminua a tensão interior e desvende o lado cômico da tragédia.
- tenha ética. Ela é o guia da ação, pois sabemos o que é bom e o que é mau e aceitamos correr o risco de viver com base nesses valores. A ética permite também desenvolver a ajuda mútua e a compaixão.
Essas “dicas” foram desenvolvidas por Steven e Sybil Wolin, pesquisadores americanos que trabalham há quinze anos com o fenômeno da resiliência.
Leia Mais:
Livro (mais conceitual): A Resiliência. Poletti, Rosette. Dobbs, Barbara. Editora Vozes
Projeto Resiliência – http://projectresilience.com/index.htm
Entrevista com o sociólogo holandês Stefan Vanistendae: http://www.unisinos.br/ihuonline/index.php?option=com_tema_capa&Itemid=23&task=detalhe&id=1386
Artigo da Revista Cláudia (muito interessante): http://claudia.abril.com.br/materias/1728/?pagina1